O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) anunciou um novo ciclo do programa BNDES Bioinsumos, com R$ 40 milhões em recursos não reembolsáveis destinados à produção de bioinsumos por cooperativas e associações da agricultura familiar.
O anúncio foi realizado durante a 3ª Plenária do Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Consea), em Brasília, e reforça a estratégia do banco de fortalecer sistemas alimentares mais sustentáveis, inclusivos e resilientes.
Segundo o BNDES, entre 2023 e 2026 já foram mobilizados mais de R$ 2,4 bilhões em iniciativas ligadas à segurança alimentar, agricultura familiar, bioeconomia e produção sustentável.
O que são bioinsumos?
Bioinsumos são produtos de origem biológica utilizados na agricultura para estimular o crescimento das plantações, melhorar a fertilidade do solo e controlar pragas de maneira sustentável.
Entre os exemplos estão:
- microrganismos benéficos;
- biofertilizantes;
- compostagem orgânica;
- insetos para controle biológico;
- bioestimulantes e enzimas naturais.
Esses produtos ajudam a reduzir a dependência de insumos químicos convencionais, promovendo maior sustentabilidade ambiental e redução de custos para os produtores rurais.
Novo edital do BNDES Bioinsumos
O novo edital ficará aberto até 31 de agosto de 2026 e dá continuidade à iniciativa lançada em 2025, que já havia destinado recursos à agricultura familiar para implantação de estruturas produtivas voltadas à fabricação própria de bioinsumos.
No primeiro ciclo:
- quatro projetos foram selecionados;
- cerca de R$ 20 milhões foram destinados às propostas aprovadas;
- houve apoio técnico da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária.
Agora, o novo aporte busca ampliar o alcance do programa e fortalecer a autonomia produtiva de cooperativas e associações rurais.
Segundo Aloizio Mercadante, a iniciativa é estratégica para fortalecer a agricultura familiar e ampliar a produção de alimentos saudáveis:
“O BNDES Bioinsumos reforça o compromisso com a segurança alimentar, a inovação no campo e a transição para uma agricultura mais sustentável.”
Agricultura familiar e sustentabilidade no centro da estratégia
Além do financiamento, o programa também busca incentivar a transição agroecológica dos sistemas produtivos brasileiros.
A diretora socioambiental do BNDES, Tereza Campello, destacou que a proposta vai além da infraestrutura:
“Queremos fortalecer capacidades locais, reduzir custos para quem produz alimentos e ampliar o acesso a tecnologias sustentáveis.”
Organizações que não foram contempladas no primeiro ciclo poderão participar novamente, recebendo inclusive devolutivas técnicas para aprimoramento de seus projetos.
Mais de R$ 2,4 bilhões para segurança alimentar
O balanço apresentado pelo BNDES mostra uma atuação ampla e estruturada em diferentes frentes ligadas à segurança alimentar e ao desenvolvimento sustentável.
Os mais de R$ 2,4 bilhões mobilizados entre 2023 e 2026 incluem recursos provenientes de:
- Fundo Amazônia;
- organismos internacionais;
- Fundo Socioambiental do BNDES.
Os investimentos contemplam ações relacionadas a:
- agricultura familiar;
- adaptação climática;
- abastecimento alimentar;
- bioeconomia;
- inclusão produtiva;
- conservação ambiental.
Programas em destaque
Entre as principais iniciativas apoiadas pelo banco estão:
Sertão Vivo
Projeto que mobiliza cerca de R$ 1 bilhão para agricultores familiares do Semiárido brasileiro, promovendo:
- adaptação às mudanças climáticas;
- restauração de áreas degradadas;
- aumento da produção de alimentos.
A expectativa é beneficiar aproximadamente 1 milhão de pessoas.
Sertão + Produtivo
Realizado em parceria com a Petrobras, o programa destina R$ 100 milhões ao fortalecimento da produção e comercialização de alimentos saudáveis.
Cerrado + Cooperativo
Edital com R$ 50 milhões para apoiar cooperativas focadas em produção sustentável, agregação de valor e ampliação da oferta de alimentos saudáveis.
Amazônia na Escola
Iniciativa que conecta agricultura familiar e alimentação escolar, com R$ 332 milhões em projetos voltados ao fortalecimento de cadeias produtivas locais na Amazônia.
Inovação e autonomia produtiva no campo
O avanço dos bioinsumos representa uma transformação importante para o agronegócio e para a agricultura familiar brasileira.
Além de reduzir custos e dependência externa, o modelo fortalece práticas mais sustentáveis e alinhadas às exigências ambientais e de mercado.
Ao ampliar os investimentos nessa área, o BNDES reforça uma tendência cada vez mais estratégica: inovação no campo associada à sustentabilidade, segurança alimentar e desenvolvimento regional.
Fontes:
- BNDES
- Consea
- Embrapa
- Dados oficiais do programa BNDES Bioinsumos (2026)


